A Arte de Thiago Alves
Poemas & Cores - A expressão da alma.
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A MORDAÇA
Recolhido a minha insignificância, novamente volto para casa depois de um exaustivo dia de trabalho, bombardeado pelo sentimento de impotência, por não poder resolver aquela situação que me deparava todos os dias, ao passa pela Avenida Monteiro Lobato. Outra vez o semáforo ficou vermelho mesmo na minha vez de atravessar a larga e famosa Av. Presidente Epitácio Pessoa.

A beira do meu caminho, no nobre bairro de Tambaú, na Capital Paraibana, João Pessoa, lá estava mais uma vez a mesma dupla de pessoas de contrastante idade, na postura de quase todos os dias. Sim, quase todos os dias, porque alguns dias, eu me surpreendia e me decepcionava, porque depois de já haver separado as moedas para doar para eles, novamente devolvia ao suporte no tabelie do carro, porque a dupla não estava ali. Mas quase que constantemente, aqueles dois faziam parte daquele cenário.

Pela inquieta aguça do meu olhar, eu supunha que fosse o neto e a avó. Duas vidas, dois diferentes comportamentos. Uma, “a Senhora”, assentada e recostada ao tronco de um  frondoso Pau Brasil, o seu apertado olhar distante, parecia aos poucos se apagar a esperança. Causado pela provável pressão imposta pela idade.  A outra pessoa, era um lindo menino de cerca de oito ou nove anos, enfeiado pela sujeira e maus tratos, de olhar inquieto e movimentos dispersos, brincava com a tralha qualquer de um velho brinquedo.

Enquanto o semáforo não ficava verde, as vezes eu me atrevia e soltava uma frase ou outra, para motivá-los. Num desses momentos, eu perguntei aquela senhora: - Ele está na escola? E ela respondeu: Está sim, ele já fez o dever de casa antes de vir para cá. Embora eu não encontrasse sustentação de verdade naquelas palavras, preferi acreditar e eu continuei: - Não deixe de levá-lo sempre para a escola que ele vai ser um grande homem! O Semáforo abriu e eu acelerei, ainda ouvindo aquela maltratada Senhora dizer:  Não vou deixar!

Seguindo para casa, eu sentia um nó na minha garganta de professor, pela impotência de não poder ensinar para aquela criança sem perspectiva de vida. Meu desejo, era lhe mostrar as diretrizes sobre o cainho reto, como ele se desviar do perigo e como entrar pela porta certa. Porém “o sistema” colocava uma “mordaça” na minha boca, impedindo que eu falasse para aquela criança jogada.
Em meio ao lento trânsito da “Av. Beira Rio” enquanto eu acelerava para me livrar do aperto no horário de pico, passava um filme na minha cabeça. Situações semelhantes àquela, nos dias de hoje acontecem no Brasil e no mundo, com as pessoas desprovidas de assistência pela sociedade.

A inquietude gritando dentro de mim não aceita, a disparidade do que enquanto a ciência avança, dando asas a tecnologia com propriedade para levar o homem ao espaço sideral, não se consegue quebrar as cadeias das grandes diferenças entre as classes sociais. E o fantasma da fome continua sendo real e matando pessoas. Assustando os poucos resquícios de bom senso que ainda há em alguns, inconformados com o marcante casos, como aquele da dupla lá do semáforo.

E a grande pergunta vem: Como quebrar “A Mordaça”?

Como quebrar a mordaça da boca dos que ainda se propõe a gritar e lutar pelos Direitos Humanos, em favor dos humildes e do bem comum social? Pois, a falta de amor dos homens é alimentada pela inveja que cavalga montada num monstro chamado orgulho. Isto tem ferido os princípios fundamentais dos Direitos Humanos no que diz:
“Cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.”

Onde comprar o colírio que unja os olhos dos poderosos para que vejam o seu semelhante como “seu semelhante”? É claro e evidente que a grande tendência a medida do “ter” nunca enche ou se completa. No que leva os poderosos a se verem como autossuficientes.

A vaidade tem tornado o ser humano mais avarento e o amor fraternal tem esfriado. O respaldo está na semelhança do que está escrito nas Sagradas Escrituras no livro de Apocalipse no Capítulo 3, nos versos 17 e 18, no que Deus diz: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.”

Verdade seja dita, que alguns gritos ainda são ouvidos. Algumas vozes ainda funcionam como “O Sal da Terra”, com a função para que não deixem que a terra apodreça. Ainda há luz que se sobressaem em meio as trevas e brilha na escuridão. Destacamos o World Parlament of Security and Peace WPO, com um forte exército com combate as injustiças sociais no Brasil e no mundo. Seus Altos Comissários e Embaixadores da Paz, batalham dia e noite como um poderoso órgão de Inteligência a serviço da Paz que incansavelmente, combatem as injustiças praticadas contra a humanidade.

Processando ainda o vídeo da mente, paro no último semáforo antes de chegar a minha casa. Exausto e com fome, faço uma pausa no filme da mente para minha ótima refeição, agradeço a Deus pela dádiva, enquanto os flashes de pensamentos não param de sinalizar, que como aquela dupla do sinal, hoje muitos semelhantes meus, não têm o que comer.


João Pessoa 09 de junho de 2021.


Dom Antonio Joaquim Alves (Thiago Alves)
Embaixador da Paz Mundial - Núcleo Paraíba, Brasil
World Parlament of Security and Peace WPO

A Arte de Thiago Alves
Enviado por A Arte de Thiago Alves em 03/07/2021
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